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EPE destaca necessidade de modernização da rede de transmissão para absorver 50 GW de energia solar até 2035

by luciano batista
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EPE destaca necessidade de modernização da rede de transmissão para absorver 50 GW de energia solar até 2035

EPE destaca necessidade de modernização da rede de transmissão para absorver 50 GW de energia solar até 2035

Introdução

O Brasil tem avançado rapidamente na expansão da energia solar, mas a capacidade de gerar não é suficiente se a energia não puder ser transportada dos locais de produção para os grandes centros consumidores. O estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta a instalação de 50 GW de energia solar até 2035, o que seria capaz de abastecer cerca de 30 milhões de residências. Para que esse potencial se traduza em energia efetivamente utilizada, a rede de transmissão precisa ser ampliada e modernizada. Este artigo aprofunda os principais gargalos, os investimentos estimados, os impactos econômicos e sociais, as recomendações da EPE e o papel das políticas públicas.

Por que a transmissão é o ponto crítico da expansão solar?

A maior parte dos parques solares de grande porte está localizada em regiões de alta incidência solar, como o Nordeste, enquanto a demanda concentrada está no Sudeste. Essa desconexão geográfica cria um gargalo que eleva perdas técnicas e custos de despacho. Sem linhas de alta tensão adequadas, a energia gerada permanece “presa” nos locais de instalação, reduzindo a rentabilidade dos projetos e comprometendo metas de descarbonização do Plano Nacional de Energia (PNE).

Gargalos atuais da rede de transmissão

O relatório da EPE identifica três restrições principais:

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  • Capacidade limitada de linhas de alta tensão nas rotas Nordeste‑Sudeste, que já operam próximo da sua capacidade máxima.
  • Falta de subestações de conversão adequadas para integrar energia em corrente contínua (HVDC) de parques distantes.
  • Obstáculos regulatórios e de licenciamento que atrasam a construção de novos corredores de transmissão.

Esses fatores não são irreversíveis; ao contrário, representam oportunidades de investimento que podem ser acionadas rapidamente.

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Investimento necessário para modernizar a transmissão

Segundo a EPE, o investimento total estimado para atender à meta de 50 GW é de aproximadamente R$ 120 bilhões até 2035. A distribuição dos recursos é:

  • 60 % para expansão de linhas de transmissão;
  • 25 % para construção de novas subestações;
  • 15 % para tecnologias de controle avançado.

Um exemplo ilustrativo: um parque solar de 2 GW no interior da Bahia exigiria cerca de 1 GW de capacidade adicional em linhas 500 kV. O custo médio de construção de uma linha 500 kV, segundo dados da ANEEL, é de R$ 12 milhões por quilômetro. Para uma distância de 300 km até a subestação de integração, o investimento seria de R$ 3,6 bilhões. Tecnologias HVDC podem reduzir perdas em até 30 % e permitir transmissões mais longas com menor impacto ambiental.

Impactos econômicos e sociais da modernização

A ampliação da transmissão traz benefícios econômicos diretos e indiretos:

  • Geração de empregos nas fases de planejamento, construção e operação das linhas e subestações.
  • Redução do custo de energia para consumidores finais, ao evitar a necessidade de recorrer a fontes termelétricas mais caras.
  • Desenvolvimento regional, especialmente em estados do Nordeste, ao criar infraestrutura que atrai novos investimentos industriais.

Socialmente, a maior disponibilidade de energia limpa pode melhorar a qualidade de vida em áreas rurais, ampliar o acesso à eletricidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, contribuindo para a saúde pública.

Como a modernização impacta a operação do ONS

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desempenha papel central na coordenação da geração distribuída e centralizada. Linhas reforçadas permitem que o ONS despache energia solar nos picos de radiação sem sobrecarregar o sistema, diminuindo a necessidade de usinas termelétricas de reserva e, consequentemente, as emissões de CO₂.

Entretanto, a integração de grandes volumes de energia intermitente exige investimentos em sistemas de controle avançado, como armazenamento em bateria e recursos de resposta à demanda. O ONS já testa essas soluções em projetos piloto, conforme relatado em seus documentos de produção.

Recomendações da EPE para acelerar a modernização

A EPE propõe três linhas de ação prioritárias:

  • Criação de um fundo de investimento específico para projetos de transmissão ligados à energia solar, com participação público‑privada.
  • Simplificação dos processos de licenciamento ambiental, adotando análises de impacto cumulativo e fast‑track para corredores já identificados.
  • Incentivo à adoção de tecnologias digitais, como monitoramento em tempo real e algoritmos de otimização de fluxo de potência.

Além disso, recomenda‑se a revisão dos contratos de concessão de transmissão para incluir cláusulas de atualização tecnológica, garantindo que a infraestrutura evolua ao longo do tempo.

Riscos de não modernizar a rede

Se a expansão da transmissão não acompanhar o crescimento da energia solar, o país pode enfrentar:

  • Perdas de energia não utilizada, reduzindo a rentabilidade dos projetos solares.
  • Aumento dos custos de energia para consumidores, devido à necessidade de recorrer a fontes mais caras.
  • Desaceleração das metas de descarbonização, comprometendo compromissos internacionais.

Esses riscos não impedem o crescimento da energia solar, mas limitam seu potencial ao criar um gargalo físico.

Papel das políticas públicas

Programas como o PROINFA e os leilões de energia renovável já criaram um ambiente favorável ao investimento solar. Contudo, a falta de alinhamento entre políticas de geração e de transmissão gera incertezas. É essencial que governo federal, estados e agências reguladoras trabalhem em conjunto para definir metas claras de expansão de transmissão e mecanismos de financiamento que reduzam o risco para investidores.

Panorama futuro após a modernização

Com a rede modernizada, o Brasil poderá integrar não apenas 50 GW de energia solar, mas também ampliar a participação de outras fontes renováveis, como eólica e biomassa. A sinergia entre essas fontes reduzirá a variabilidade do sistema, aumentando a segurança energética. Além disso, a modernização abre caminho para projetos de armazenamento em larga escala, conectados diretamente às subestações de transmissão, criando um sistema mais resiliente e preparado para a transição energética global.

FAQ

Qual o custo estimado da expansão de linhas de transmissão para 50 GW de solar?
Segundo a EPE, cerca de R$ 72 bilhões (60 % do total de R$ 120 bilhões) são destinados à expansão de linhas de alta tensão.
Como a tecnologia HVDC contribui para a integração solar?
HVDC reduz perdas em até 30 % e permite a transmissão de energia por distâncias maiores com menor impacto ambiental, facilitando a conexão de parques solares remotos ao centro de consumo.
Quais são os principais obstáculos regulatórios?
Os processos de licenciamento ambiental e a falta de corredores de transmissão previamente definidos atrasam a construção de novas linhas, conforme apontado no relatório da EPE.

Conclusão

A modernização da rede de transmissão é um elemento estratégico e não opcional para que o Brasil alcance a meta de 50 GW de energia solar até 2035. O investimento de R$ 120 bilhões, bem distribuído entre linhas, subestações e tecnologias avançadas, traz benefícios econômicos, sociais e ambientais. As recomendações da EPE – fundo de investimento, simplificação de licenças e digitalização – oferecem um caminho viável para superar os gargalos atuais. Alinhar políticas públicas, acelerar a aprovação de projetos e adotar soluções tecnológicas como HVDC e armazenamento são passos essenciais para transformar o potencial solar em energia efetivamente entregue ao consumidor brasileiro.

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